É isso mesmo que você entendeu.

Segunda-feira, Janeiro 30, 2006

Hiato de ano-novo # 1 - Natal de transição


O primeiro grande acontecimento deste hiato foi o Natal. Não vou dedicar meu tempo à já desgastada discussão sobre o sentido do natal, assunto que neste ano foi retomado pelo papa, reclamando do perfil consumista e absolutamente ateu que a festa tomou. De fato, o velho pontífice não está errado, mas uma vez que resolvi assumir que sou agnóstico, devo dizer que mesmo que se trate de uma data, na prática, pagã, me agrada a oportunidade de rever amigos familiares, de entrar em contato, ainda que indireto, com tantos outros, de forma a corrigir, ainda que superficialmente, a ausência consentida do ano todo e manter os vínculos ativos; porque apesar de os relacionamentos familiares não serem como contas de e-mail que são desativadas após certo período de desuso, se não forem minimamente nutridos, secam e tornam-se meras casualidades documentais.
Já que o Natal será então tratado, aqui neste blog, como uma oportunidade de reencontro, um pedaço dele se iniciou na confraternização da empresa. Além do tradicional futebol, houve o igualmente previsível, e nem por isso menos importante amigo secreto. Só quero resgatar aqui um fato curioso. Meu amigo secreto transformou uma declaração que dei dizendo que eu queria um livro sobre, entre outras coisas, filosofia – que é um tema que me agrada, apesar do meu quase completo desconhecimento - em uma descrição do tipo “meu amigo secreto disse que é um amante da filosofia”. Acredito que as percepções tenham sido diversas a respeito disso, e até mesmo a minha falta de habilidade no futebol foi justificada pelo tal amor. No fim, fiquei constrangido, mas me preocupei em não desmentir minha amiga, agora revelada, afinal, isso não é coisa que se faça com amigos. Apesar de tudo, o livro não era sobre filosofia, mas uma divagação insólita de Saramago sobre a morte e suas várias relações com a humanidade. Livro bom, que me apresentou a este escritor e seu estilo de escrita. Se notarem que minhas frases se tornaram mais longas nestes últimos posts, podem tirar daí a causa.
Voltando à família, o Natal foi muito agradável. Decidi que minhas recentes incursões pela literatura, expressas por leituras mais freqüentes e abrangentes, e até mesmo por este delicioso exercício blogueiro, deveriam nortear minha lista de presentes - já que os regalos que damos devem não só agradar a quem os recebe, mas também dividir um pouco da alma daqueles que os dá, senão tornam-se impessoais e insignificantes. Não quero que minhas mais sinceras intenções de agrado devam ser resumidas à função de completar um guarda-roupa ainda despreparado para a próxima estação, ou que a força de uma campanha publicitária ou de uma marca fique gravada de forma mais intensa na memória daqueles que quero agradar do que a minha própria figura como doador de parte de meus esforços pessoais sob a forma de presentes – muito menos quero resumir o meu gesto de doação a algo quase que absolutamente abstrato e impessoal quando compro qualquer coisa de preço acessível por uma dita obrigação social. Passei um tempo pensando em escrever algo para aqueles que eu gostaria de presentear. A idéia me agradou e até empolgou, mas tive que admitir que eu não teria tempo para tal. Acabei por tornar a lista menor, mas tive a preocupação de dar um livro para cada um. Um livro escolhido de forma muito especial, sem qualquer pretensão de educar ou corrigir, mas simplesmente agradar. Apesar de parecer fácil, devo dizer que não se tratava de pessoas que têm por hábito a leitura, e por isso os títulos deveriam ser atraentes o suficiente para que seu conteúdo fosse desvendado. O esforço para a designação e para a obtenção destes títulos foi maior do que eu imaginava, mas valeu os custos de tempo, paciência e dinheiro gerados.
Não fiz uma avaliação póstuma mais completa, mas devo dizer que as evidências iniciais foram de um grande sucesso nas minhas intenções. Prometo contar-lhes em detalhes como isso terminou (em outro post).
Outra coisa que me agradou foi a visita à casa de meus avôs paternos (a parte materna já faleceu). Admiro-me com a saúde deles, que aos 80 anos mantêm-se lúcidos e ativos em todos os setores de suas vidas cotidianas. Pensei que meu estilo de vida não me levaria tão longe, mas que uma adequação de hábitos poderia prolongar minha vida útil. Pode uma fatalidade tornar todo o esforço de manutenção da plena capacidade de realização a longo prazo inútil? Sim, claro, mas valendo-me de uma estrutura de pensamento baseada em fatores absolutamente racionais, estatisticamente é mais provável que eu morra de causas naturais, e se eu preservar minha saúde, devo ter mais tempo para experiências que enriquecerão relatos até sabe-se lá quando. Desta forma, a visita natalina me motivou a rever meus hábitos, já que eu estava em frente a pessoas com as quais compartilho boa parte de minha carga genética, e que me mostraram uma perspectiva interessante, especialmente depois de fazer a usual análise retrospectiva de fim-de-ano e de descobrir que há mais planos a serem ainda realizados do que tempo hábil para tal.
Acho que eles nem fazem idéia de como me influenciaram, mas o fizeram.
Espero que suas festas tenham sido igualmente boas, ou até melhores; mas se o seu Natal não foi bom, vá cultivando bons relacionamentos para que o próximo seja melhor.
Feliz Natal (de 2006).

Domingo, Janeiro 29, 2006

Hiato de ano-novo # 0 - O capítulo que deu origem à série


Olá, caros amigos. Espero que tenham visitado este blog durante esta prolongada ausência que abrangeu todo o período de festas de fim-de-ano e se estendeu até aqui. Notem que, incluindo-se a de abertura, esta já é a terceira nota explicativa deste espaço, o que expressa não só o grande respeito que mantenho por aqueles que porventura se interessem pelos meus escritos, mas também reflete um conflito entre minhas intenções de escrever sempre que vivo algo merecedor de um relato e a consciência da negligência com esta intenção de relatar, em função de algo também relatável. “Ora, deverão pensar vocês, queres dizer então que durante todo este período tens bebido em fontes de experiências relevantes o suficiente para que o vencedor deste teu conflito interno de interesses seja a vivência, em detrimento do relato?” Sim, caros amigos, devo dizer que o período não só foi deveras fértil em novidades e surpresas, que devo dizer, em sua maioria agradáveis, mas por conseqüência tem se mostrado transformador em um sentido que me leva de encontro aos meus interesses. A pergunta óbvia que seguiria este suposto diálogo entre nós seria a respeito da descrição destes interesses, mas quero, no entanto, que esta resposta seja descoberta por vocês, nas entrelinhas, uma vez que este espaço literário serve para o meu prazer de expressão, e não para as obviedades de uma exposição desnuda de minha personalidade.
Seguem-se a este post relatos interessantes desta ausência que chamarei de “hiato-de-ano-novo”, pois mesmo tendo se iniciado ainda no ano antigo, foi movida por acontecimentos que servem para comemorar e revisitar o tomo de tempo que chega ao fim, e esta revisita não tem utilidade alguma senão encontrar necessidades de transformação e oportunidades de deleite futuro que nos motivam a prosseguir com nossa caminhada rumo à morte, certos de estarmos fazendo um uso cada vez melhor daquilo que chamamos de vida. Como os fatores que determinam o nosso futuro não são previsíveis com uma segurança razoável para que assim os classifiquemos a um longo prazo, o horizonte ao qual nos referimos quando da exploração de oportunidades e das necessidades de transformação acaba restrito ao ano-novo, mesmo que este seja um período subordinado e destinado à satisfação em prazos maiores.
Uma vez que eu já tenha dado satisfação a respeito de minhas falhas, e como num discurso de ano-novo tenha dado um certo sentido a elas, designando-lhes uma função de manutenção do sentido deste blog, e incluso nisto tenha lhe sido dado um nome até, no meu ver, simpático, encerremos aqui este recomeço e recomecemos de fato.
Aquele.

Segunda-feira, Dezembro 19, 2005

gnothi seauton


Na Grécia antiga não havia Pai-de-santo, Papa, Pastor ou livros de auto-ajuda - o negócio era o Oráculo de Delfos. Era um templo de fazer inveja a qualquer Sede Mundial de Igrejas pentecostais ou seja-lá-o-que-for. Todo construído em mármore, bronze e ouro, podia ser visto de longe, sobre as colinas ao Norte de Atenas. Lá, as sacerdotizas ficavam doidonas com um vapor que continha etileno e respondiam às questões de gente que vinha de longe para saber de tudo: se seria bom negócio receber um grande cavalo de madeira como presente, se a mulher o traía com o filósofo do bairro, ou como fazer para tirar mancha de batom da alça do quitão.
O fato é que na entrada do Oráculo havia uma inscrição: gnothi seauton (conhece a ti mesmo) - e a maioria dos aflitos nem lia isto, ou se lia, não ligava.

O que isto tem a ver com os relatos desta minha experiência? Li esta coisa toda num livro, mas não quero aqui fazer trancrições engraçadinhas. O livro traz um diálogo de Sócrates com Eutidemo, no qual o grande mestre sugere ao rapaz que preste mais atenção à mensagem da entrada do que às respostas do oráculo, pois é no autoconhecimento que está a base para que encontremos as nossas respostas. Eu quero apenas dividir isto com vocês.

O livro sugere uma reflexão sobre isso: Quais são as fontes das decisões que você anda tomando? Decidiu sozinho e conscientemente? Tem refletido sobre slogans comerciais e "verdades absolutas" dos seus grupos de convívio, ou tem se orientado pelo senso comum?

A cada página que leio, gosto mais do velho sábio.

Domingo, Dezembro 18, 2005

Boa música por bons profissionais


Não me lembro de uma época da minha vida em que eu não gostasse de música - aprendi a andar me apoiando em uma estante que continha um velho(mas potente) toca-discos de 33 e 45 rotações, rádio AM/FM e um deck K7 (tudo equipado com regulagem de balanço, médios, graves e agudos, e um iluminação verde que despontava muito além do corpo de mogno do aparelho).
A coleção de discos à qual eu tinha direito estava restrita aos coloridos, de estórias infantis - o meu preferido era um da Branca de Neve no lado A e João e Maria no lado B. Obviamente minha curiosidade musical ia além da minha coleção, e logo descobri, além do impagável "O perú da festa" do Costinha, coisas que continuam do meu gosto até hoje: Michael Jackson (thriller), uma coletânea de Jazz e Blues com muitos ragtimes, bops e o pitoresco Sixteen Tons; e o rei Elvis (uma coletânea pré-barriga e o derradeiro Live in Honolulu). Mesmo muito novinho, eu gostava de verdade disso, e ignorava os muitos álbuns de Roberto Carlos, Nara Leão e Abba.
Depois, no ginásio, me identifiquei com aquele tal de "roquenrrol". Na minha busca adolescente por identidade, encontrei no Rock posturas firmes, letras com conteúdos mais ricos que qualquer outro gênero (eu passava um tempão decifrando as músicas desde Legião Urbana até Stairway to Heaven), e um conjunto de elementos que me pareciam os únicos que poderiam compor o que eu (mesmo sem saber) estava buscando: uma identidade.
Nem preciso dizer que a partir daí o envolvimento só se intensificou, e no colégio tomei gosto pelos conteúdos politizados, o que me levou a todos os shows de bandas de punk rock e hardcore aos quais eu tive acesso. Acho que foi nessa fase que nasceu o hábito de ir a apresentações de qualquer coisa. Depois da fase de anistia e abertura musical, na qual meu Estado perdoou todos os gêneros que não usavam guitarras distorcidas e permitiu que todos eles frequentassem meus ouvidos, conheci uma riqueza de sortimento musical nunca antes imaginada. Neste passo evolutivo encontrei a beleza das formas e as riquezas ocultas em conteúdos só reveladas após certo nível de conhecimeno histórico (em especial, na MPB da ditadura). Além de me decepcionar um pouco por descobrir que muitos dos meus ídolos "roquenrrol" eram no máximo criativos alucinados, e que os caras de atitude verdadeira eram os tais baianos, passei a frequentar (agora sim) todo canto em que havia alguém se apresentando. Me tornei fã de todos os "Zés da esquina". Claro que, além de muitas apresentações em botecos, clubes e igrejas, frequentei shows internacionais, dos pequenos e intimistas aos superproduzidos com ares de festival.
Contei toda esta história, porque no começo de Dezembro desembarcou em São Paulo uma das maiores bandas do mundo pop-rock da atualidade: o Pearl Jam. Confesso que não ando ouvindo muito este tipo de som ; mas mesmo assim, nunca fui fã deles. Tudo bem, eu sei que eles são importantes para a história, acho as músicas boas, ms não havia nada que me causasse comoção neles. Ainda assim, como não ia a um bom show (destes grandes) fazia tempo, e sabia que perder este seria motivo para um arrependimento histórico irremediável, eu fui.
Mesmo eu não tendo mais aquele deslumbramento juvenil, sendo uma tarde chuvosa, sob uma capa plástica de chuva, logo depois do trabalho, me senti frente ao espetáculo mais discreto que já vi. Era como se uma das bandas mais influentes de uma geração e de quase todo o rock que se faz hoje tocasse num boteco da periferia de São Bernardo, com a mesma simplicidade de um Zé da Esquina: feliz por ter a oportunidade de expor sua arte, mostrando sentir-se elogiado a cada meia dúzia de palmas (eram muito mais) após as canções por ele compostas. É difícil ver bandas assim, e havia tempo que eu não via nada tão "roquenrrol". Isto tinha muito daquela identidade que eu buscava lá no ginásio: gente que tem sucesso verdadeiro e sólido, que mantém simplicidade, honestidade e humildade suficientes para travarem uma relação sincera com seu público. Não sei se isso é real ou era apena aparência, mas prefiro acreditar na primeira opção.
Ficamos um tanto quanto longe, apenas o suficiente para manter o grande grupo de amigos confortavelmente juntos sobre o gramado do Pacaembu, sem o tumulto das proximidades da grade. Vimos quase tudo pelo telão, até que um amigo impetuoso saiu abrindo caminho em meio à multidão, rumo às primeiras fileiras. Eu fui atrás. A cada passo, me sentia como se ganhasse um ponto no vestibular, e ultrapassasse milhares de candidatos - até chegar entre os classificados. Fiquei a poucos metros da grade. Dali, o show foi outro. Foi possível ver as comunicações entre os integrantes da banda, seu olhar, e tudo aquilo que estava fora do foco dos camera-men.
pela experiência com música que tive até hoje, meu gosto pende muito para shows honestos, de boa música, de libido no palco, interação sincera com o público e sem pirotecnia desnecessária. Por tudo isso, o Pearl Jam fez um dos melhores shows que eu já vi. Sò para completar, os caras ainda adotam a postura de proibir a venda de cerveja para evitar problemas entre o público - pode parecer piegas, mas é uma preocupação além de ganhar dinheiro.
Não virei fã deles, mas virei um admirador sincero da banda e de seus integrantes. Gosto de gente que faz um trabalho honesto, que faz sucesso e sabe controlar o ego e a soberba, de gente que não faz exibicionismo sobre o quanto é boa no que faz - simplesmente o é.
Para mim, como músicos eles materializaram a postura "roquenrrol" de minhas tenras experiências neste campo; mas como profissionais são um exemplo de postura até para vender sabonetes.

ÓCIO DIGESTIVO


Olá, caro amigo.
Já faz tempo que não escrevo, e mesmo que não haja nenhuma cobrança, vou me justificar.
O blog não foi negligenciado - pelo contrário. Neste períoo de aparente silêncio, escrevi vários rascunhos, relativos a várias experiências que mereceram ser relatadas. Porém, a intensidade de experiências tornou a organização das idéias em torno delas um tanto quanto nebulosa. Após ler meus relatos, percebi que eles tendiam a um perfil extremamente verborrágico, que os transformava em simples redação descritiva da experiência, sem que trouxessem as percepções e sentimentos de uma forma clara - ou ao menos compreensível. Credito boa parte desta confusão ao simples fato de que as experiências tiveram sobreposições, e foi necessário que eu tivesse momentos de ócio e silêncio para que as enzimas reponsáveis pela sua digestão analítica pudessem ser secretadas pelo meu pâncreas literário.
Portanto, depois da retratação e da digestão, o que foi absorvido pela mucosa do intestino experiencial, vira combustível para a atividade bloguera - o resto é excretado.
Aquele abraço nutritivo.

Terça-feira, Novembro 29, 2005

SEX, LIES & SUPER HEROES



A dicotomia entre um homem pacato, escondido atrás da fragilidade de um par de óculos de aro grosso e um super-herói de força e imagem incontestáveis é uma das melhores representações da oscilação cotidiana do ego masculino (talvez do feminino também...). Os homens vivem passando de um lado ao outro da linha da mediocridade, em seus papéis e posturas no dia-a-dia.
Apesar de os óculos de aro grosso terem voltado à moda, os macacões coladinhos ao corpo, as capas e cuecões vermelhos não estão em alta - é por isso que, apesar de exigirem uma roupa especial, os Clarks viram Super quando saem para salvar a mocinha dos vilões, sempre com intenções de levá-las às alturas. E se nas HQ's os nossos heróis dependem de seus "super poderes", na vida real o que usam, mesmo , é a "pegada".
Assim como cada super herói (e os super vilões também) tem seu poder, cada um tem a sua pegada – e eles se orgulham de suas respectivas pegadas, de modo que cada encontro é como um workshop da Liga da Justiça.
O Batman e o Robin não se separam quase nunca, e mesmo que a sua masculinidade seja colocada em duvida, é juntos que eles salvam as mocinhas de todas as partes. O Batmóvel, o Batcinto e toda aquela tecnologia portátil são ferramentas que muitas vezes podem ser decisivas, mas o homem-morcego faz muita coisa sem ele, e como a Batcaverna é um ambiente sofisticado e pronto para tudo, serve também de abrigo para mocinhas indefesas. Sozinhos ou em dupla, nossos heróis são eficazes em seus objetivos. Nem por isso estão isentos ao aparecimento da mulher gato, que quando menos se espera, cruza seu caminho e, sedutora, tira a concentração da dupla dinâmica, balança o rabo e se bandeia pelos becos de Gotham City.
O Homem-aranha é também uma figura interessante. Estagiário de um grande jornal, está sempre próximo à cena do crime. Seu sensor-aranha é dos bons, e detecta mocinhas em perigo sem precisar acessar a freqüência da polícia. A sua técnica é mais do que conhecida: é se pendurando que ele chega lá. Rápido e ágil, se balança entre os arranha céus e com sua teia imobiliza o inimigo, que mesmo relutante não consegue fugir. Assim como no filme, salva a mocinha, mas sendo o dever mais forte que seus desejos, ele a abandona para poder retornar a seu posto e salvar muitas mais.
Por falar em jornais, o mais famoso jornalista de Metrópolis é...Louis Lane! (Que bela jornalista!) Nos filmes era sempre acometida por crises de chatice, fazendo aquele charminho irritante que só as belas mulheres podem se dar ao luxo de ter. E quando a bonitinha (desculpem-me o clichê - mas ordinária) tinha suas crises, quem estava lá para ouvir seus esporros nomeio da redação? Claro que era sempre o bom amigo Clark! E como era desastrado aquele repórter...vivia tropeçando nos cantos de mesa, derrubando café sobre papéis importantes... era de se esperar que o moço não fosse páreo para vilões como Lex Luthor - mas como nós sabemos, bastava uma meia-dúzia de voltas numa porta, ou poucos décimos de segundo numa cabine telefônica e ele saía altivo, com sua capa, a voar pelos ares, e em poucos segundos salvava uma mocinha, e outra, e outra...o negócio era tão impressionante que até a Louis se rendia à energia do rapaz!
E a cada reunião da Liga-da-Justiça surgem novos heróis, cada um com seu poder, seu uniforme, seu arqui-inimigo e suas mocinhas a serem salvas.
Se bem me lembro do meu tempo de HQ’s, mesmo com a desmoralização causada pelo episódio da Feira da Fruta, nenhum deles largou a vida de super em troca de uma pacata vidinha de gerente de contabilidade, assistente de marketing, corretor de seguros, ortodontista ou balconista de farmácia ( o super-homem bem que tentou, mas quando largou sua pegada, mal conseguiu defender a Louis de um arruaceiro qualquer, e logo tratou de recuperar seus poderes).
Na verdade, a grande busca dessa vida dedicada à segurança de mocinhas inefesas é um salvamento feito por uma Mulher Maravilha de pegada, com chicote na cintura, direito a dar uma volta no jatinho invisível e estadia na Ilha das Amazonas!

Domingo, Novembro 20, 2005

Quem não gosta, bom sujeito nao é.


Como sou bom sujeito e a saúde do meu pé está rigorosamente em dia, ainda que eu não seja bom da cabeça, não posso dizer nada diferente além de ter adorado o tão falado "sambão". O lugar chama-se Traço de União, e é um genuíno espaço de samba - para quem toca ou ouve de verdade.
Dizem as boas línguas que nos finais de semana o público é familiar. Vão desde os netinhos, marotos, aos anciãos que poderiam ser carinhosamente chamados de "Velha Guarda" e ficam sentados em espaço privilegiado em frente ao palco.
Nas noites de quinta a coisa muda de figura, a começar pela banda. As mulheres do Samba de Rainha recebem as melhores entidades e tocam um samba de qualidade, assustando marmanjos que ainda não assimilaram a força e a onipresença feminina em nossos tempos. Aliás, independente de qualquer paralelo com a sociedade, o lugar é realmente tomado por mulheres, que na melhor expressão de sua competitividade gastam todo o samba no pé que possuem, num belíssimo espetáculo de coordenação motora feminina e total perda de controle masculina. Seria de se esperar que as mulatas tivessem habilidades encantadoras e requebrantes, mas surpreende a forma como loiras, morenas, ruivas e orientais chacoalham as ancas. É um lugar de primavera permanente.
Além de sensações mil, há ainda um certo sentimento de conexão com nossa música, um verdadeiro Traço de União com a cultura brasileira, que muitas vezes é tida como informação de almanaque pela massa frequentadora de baladas. Eu até concordo que o samba seja parte de nossa história, mas de nada serve conhecê-lo em texto. Samba é para ser sambado.
É desnecessário dizer que a "passadinha para encontrar os amigos" virou uma curtição deliciosa que invadiu a madrugada. Se considerarmos que há também cerveja gelada e que não é raro dançar a dois, não há um único sentido sequer que seja negligenciado.
É muito bom. Vou voltar.

Terça-feira, Novembro 15, 2005

Post de abertura


Olá, amigo! (usarei sempre o singular porque torna a narrativa mais pessoal, e eu acredito ser mais provável que você navegue sozinho por este blog). É difícil saber o caminho que te trouxe até este sitío, e consequentemente suas intenções em visitá-lo, mas já que cá está, é bom que saiba do que se trata:
Além de inaugurar o blog, este post inaugura a minha atividade blogueira. Eu ingresso neste formato literário pelo simples prazer de escrever. Não há aqui nenhuma pretensão de discussão existencial, filosófica, política ou pessoal, apesar de ser muito provável que eu passe por estes temas mais adiante.
Vou começar falando de algumas situações de minha vida, tão atuais quanto forem as lembranças que me fazem nelas me apoiar, tentando esmiuçar um pouco mais os sentimentos, sensações e impressões que originaram ou foram originados no ocorrido.
Tentarei ao máximo preservar a identidade dos envolvidos, para que a minha visão, especialmente depois de ser documentada, não se torne uma referência mais digna de crença que qualquer outra, e não seja usada para julgamentos de qualquer natureza.
Como qualquer virgem, tenho um grande desejo, porém munido apenas de técnicas bastante intuitivas. Ainda como virgem, peço que não hesite em expressar sua percepção sobre as formas e conteúdos que encontrar por aqui, para que esta experiência se torne cada vez mais fluentemente prazeiroza. O meu gosto e o teu serão os grandes direcionadores das evoluções que podem surgir, (apenas lembrando) como para qualquer virgem.